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riscos_e_rabiscos

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Que chachada!

 

Eu até acredito que sim... Mas onde está ele - o talento - que não o consigo ver em parte nenhuma nos concorrentes?

E não me venham cá com tretas que o talento é "difícil de definir"... ou se é bom a fazer alguma coisa e se causa emoção em quem está a ver ou então fica-se em casa sugadito, em vez de ir fazer figuras tristes à frente dos espectadores tugas.

E ainda dizem que a programação da TV tuga não vale nada... eu até nem percebo porquê!{#emotions_dlg.angel}

Onde nós viémos parar...!

 

                                   

 

 

Pois é, que os professores são o bode expiatório e o bobo da corte do Ministério da Educação, já vai para alguns anos, já todos demos por isso.

Concursos estúpidos, reformulações de estatutos de carreira inenarráveis e situações de trabalho completamente diabólicas.

 

Dia 1 começou mais uma fase do tão famoso Concurso de Docentes. E mais uma vez os professores foram motivo de notícia na nossa imprensa. Qual o motivo? O tão famoso Professor titular. E lá começaram as situações anacrónicas, injustas e estúpidas.

 

Prevê-se que este ano lectivo cerca de 20 mil professores poderão ficar com horários zero em Setembro, ou seja, serão colocados, irão ganhar um ordenado mas não têm horas lectivas para leccionar. São encarregues de fazer “qualquer coisinha” que os Conselhos executivos têm de inventar, nem que seja descascar batatas!!!

Já não falando nos 5.000 professores contratados, este ano lectivo, e cujo contrato termina a 31 de Agosto. No dia 1 de Setembro há a corrida louca ao subsídio de desemprego.

 

Sou professora há 11 anos e, dessa altura para cá, os professores têm vindo a ser abandalhados, desrespeitados e ignorados quer por alunos e encarregados de educação, quer pelo próprio Ministério da Educação, que era quem devia dar o exemplo.

Quando comecei a leccionar nem em sonhos poderíamos prever que a nossa situação e estatuto pudesse chegar ao ponto em que está.

Os alunos eram bem diferentes, tinham mais respeito, eram diferentes…

 

O ensino entrou no caos, no abandalhamento. É avaliar os alunos pelas fasquias mais baixas – e ai de quem não o fizer, coitadinhos dos meninos! -, é o facilitismo, o medo dos alunos problemáticos, a violência nas escolas.

Só para terem uma ideia, há 3 anos tive uma turma de 9º ano cujos alunos parecem ter sido escolhidos a dedo. Desde o aluno com graves problemas psiquiátricos, ao alcoólico, ao drogado e às meninas que se “enrolam” com todos.

Todos nós temos problemas e os professores devem ajudar os seus alunos. Mas a directora de turma “obrigou-nos” a dar notas aos meninos para passarem todos, pois ela tinha medo deles. Sempre que havia problemas com os meninos, ela não actuava. Ao ponto de haver uma colega minha que se sentir mal ao dar aulas a essa turma, mais do que uma vez, devido ao estado de nervos em que eles nos conseguiam fazer atingir.

Eu, por acaso, não tive grande razão de queixa deles mas também passei um ano lectivo inteiro com rédea muito curta.

 

Ninguém os queria levar a passear a lado nenhum, inclusivamente a tal Directora de turma, mas como eu não tenho por hábito descriminar os meus alunos (para mim são todos iguais), eu defendi que os miúdos teriam de ir também. Lá fui eu e a prof. de Português a acompanhá-los sempre que foi preciso. E devo dizer que eles se portaram bem.

E no final do ano lectivo eles reconheceram que as únicas “storas” que,  apesar dos pesares, tinham sido amigas deles fui eu e a prof. de Português.

 

Só quem é professor é que pode avaliar o que é dar aulas a alunos problemáticos: há que compreendê-los, desenvolver mil e uma estratégias para os motivar, incentivar e encorajar. E muuuito reforço positivo.

E repare-se que estes problemas não existem só a partir do 2º ciclo. Acontece também no 1º ciclo, o que para mim é gritante. O mais grave é que as escolas do 1º ciclo não têm muitas estratégias para lidar com esses problemas e se a Coordenadora da escola não tiver pulso, a escola transforma-se num inferno.

 

Mais uma vez tenho de voltar a preencher a grelha da preferência das escolas em que não me importo – ou melhor dizendo, em que todos nós queremos ter colocação desesperadamente – de leccionar. O pior é que coloco escolas de norte a sul mas não há lugar para mim no ensino público. Má escolha de curso. Quem me mandou a mim seguir o coração e fazer o curso que eu mais gostava? Era nesta altura que eu devia ter seguido a razão e não o coração… Agora já é tarde.

 

No entanto, há um lugarzinho (sim porque é mesmo um horário minúsculo) à minha espera num colégio particular. Depois logo vos darei conta desta novidade, quando as férias acabarem.

O facto de enviar CVs para tudo quanto é escola acaba por dar alguns frutos. A minha experiência e formação é grande e diversificada e agrada a muitos. É pena é não haver lugar para mim…!